8 de outubro de 2009

Oscar Wilde


Escolho os meus amigos não pela pele ou por outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. 
 
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
 
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. 
 
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. 
 
Deles não quero resposta, quero o meu avesso. 
 
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. 
 
Para isso, só sendo louco. 
 
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. 
 
Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. 
 
Não quero só o ombro ou o colo, quero também a sua maior alegria. 
 
Amigo que não ri connosco não sabe sofrer connosco. 
 
Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade. 
 
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. 
 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
 
Não quero amigos adultos, nem chatos .
 
Quero-os metade infância e outra metade velhice. 
 
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. 
 
Tenho amigos para saber quem eu sou.
 
Pois vendo-os loucos e santos, tolos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril. 
 
 
Oscar Wilde
 


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